Ouvem-se passos inseguros, que marcam um inicio…
Por entre o corredor frio e escuro, é levado um vestido da cor da paixão. O contraste alimentado entre o vermelho do vestido e as cores mortas do corredor, faz-se notar. O pó ganha tom e a ferrugem das celas ganham vida.
Os passos começam-se a ouvir cada vez mais fortes…
Chegando ao destino ganha prioridade um ângulo de visão. O guarda prende a imagem criada dentro da ultima cela. Habitada pela tal mulher conhecida como a “Artista” e “Viúva Negra”. Por de trás do inocente e belo olhar esconde uma colectânea de pensamentos astutos, macabros e criativos. Nunca matou ninguém da mesma forma, mas seduz sempre a sua presa inicialmente, como se de um ritual se trata-se. Dentro da cela vê-se a mulher a observar o seu próprio encanto, pelo espelho ligeiramente rachado e sujo pelos que se observaram antes.
O barulho enferrujado e arrepiante da porta da cela a abrir faz mover a cara da moça. Para presenciar o seu tão esperado vestido vai até ao guarda. O olhar hipnotizante da sedutora fixa o olhar do guarda, colocando-o nervoso. Misteriosamente passa as mãos no cabelo e retira uma seringa sem que nem as sombras do quarto reparassem. Mordendo os lábios sensualmente, sussurra-lhe ao ouvido “Obrigado”. Abraça-o e injecta o liquido da seringa para o guarda entrar em pleno sono. Coloca-o na cama e tira a faca que ele tem guardado sempre. Corta seu traje prisional e veste o vestido vermelho. Corta a maior parte do seu cabelo e espalha pelo quarto, dando a ele um tom dourado. Coloca uma tela à frente dela e penetra seu vestido e seu ventre.
Ouve-se gemidos de dor e gritos da cela da frente. Várias gotas da cor da paixão caiem na tela…
Depois… com a tela e o chão já preenchidos com sangue ela perde força nas pernas e ajoelha-se em frente à tela pintada com a vida…e… beija-a assinando sua obra. Retira o mais rápido que pode a faca, colocando-a na mão do guarda adormecido. Na sua chaga mete a mão à procura do coração.
Segurando nele, sente as ultimas batidas ao ritmo do seu orgulho…
Caiu perto da cama e o coração pára definitivamente definindo um sorriso melancólico e de concretização. Seus olhos fecham, e uma borboleta entra pela janela onde entra a única vaga de luz e poisa no quadro…
